Alpha Impulsionado por Tecnologia em Mercados Privados

Colocando os investidores em alternativos no comando

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A tecnologia aplicada aos mercados privados vive hoje um ponto de inflexão, semelhante ao estágio em que os sistemas de navegação pessoal se encontravam há quase três décadas. Até os anos 1990, a navegação dependia de instruções escritas ou impressas, desconectadas das condições em tempo real e frequentemente imprecisas. Desde então, esses sistemas evoluíram para aplicações digitais integradas, com múltiplas fontes de dados e uso de geoposicionamento em tempo real, capazes de otimizar rotas continuamente — transformando a forma como nos deslocamos

De maneira semelhante, apesar da escala e da sofisticação alcançadas pelos investimentos alternativos, muitos investidores ainda gerem essas carteiras por meio de modelos operacionais complexos, baseados em sistemas fragmentados, processos manuais e dados estáticos.

Embora tenha havido uma proliferação de tecnologias que oferecem soluções pontuais para enfrentar esses desafios, a evolução dos mercados privados — impulsionada pela inteligência artificial (IA) — pode criar a base digital avançada necessária para que os investidores vão além da eficiência operacional e impulsionem alpha em portfólios de mercados privados.

Para avaliar o estágio dessa jornada de transformação tecnológica, o BNY, em colaboração com o Stanford Long‑Term Investing (SLTI), realizou uma pesquisa com cerca de 20 investidores institucionais, representando mais de US$ 1 trilhão em ativos sob gestão (AUM). As respostas revelam os principais desafios e oportunidades associados aos investimentos alternativos e oferecem uma visão sobre a potencial transformação no setor.

Tech-driven alpha in private markets
Artigo Completo

Alpha Impulsionado por Tecnologia em Mercados Privados

Os investimentos alternativos se tornaram um pilar central da carteira

Ao longo da última década, os investimentos alternativos passaram a ocupar um papel central na alocação de muitos investidores institucionais, impulsionados pela busca por diversificação e maior rentabilidade. Com os ativos globais sob gestão (AUM) em alternativos projetados para alcançar US$ 29,2 trilhões até 2029, esse universo continua a se expandir, incorporando novas classes de ativos e estruturas de fundos.1 Tradicionalmente dominado por private equity e hedge funds, o segmento vem registrando forte crescimento em áreas como infraestrutura e crédito privado, impulsionado pela demanda por infraestrutura digital, investimentos ligados à transição climática e soluções inovadoras de financiamento. À medida que esses ativos e estruturas se tornam mais complexos — com estratégias mais sofisticadas, diferentes perfis de liquidez e dinâmicas de risco mais elaboradas — os desafios de gestão de carteira se intensificam. Para lidar com restrições relacionadas à liquidez, exposição temática e retorno, investidores têm recorrido a estruturas como fundos semilíquidos, instrumentos com classificação de risco (rated notes) e mandatos segregados (separately managed accounts – SMAs).

Embora os vetores de crescimento de longo prazo permaneçam sólidos, o ambiente macroeconômico atual evidenciou as dificuldades inerentes à gestão de carteiras de ativos privados, reforçando a necessidade de soluções tecnológicas avançadas, gestão dinâmica de portfólio e uma visão integrada de riscos e exposições em meio à volatilidade do mercado.

Os mercados privados escalaram com a lógica do software — mas a maioria dos investidores institucionais ainda os administra por meio de planilhas. A complexidade vem se intensificando, assim como o custo da não adaptação
Dr. Ashby Monk
Diretor-Executivo e de Pesquisa, Stanford Long-Term Investing

Navegando as complexidades da gestão de ativos alternativos

O crescimento e a expansão dos investimentos em alternativos trazem a complexidade operacional adicional de gerir essas carteiras. Diferentemente dos valores mobiliários negociados em mercados públicos, os ativos alternativos normalmente exigem um conjunto de documentos não padronizados e dados não estruturados, o que cria desafios operacionais na supervisão das carteiras e na mensuração de desempenho. A maioria dos investidores institucionais entrevistados relatou que barreiras significativas para aumentar a alocação em alternativos incluem os processos fortemente manuais ou sob medida necessários para supervisionar ativos (75%), bem como os desafios de extrair e normalizar dados de fundos e ativos (67%) (Figura 1).

Figura 1: Barreiras Operacionais ao Investir em Ativos Alternativos

Fonte: Pesquisa BNY/SLTI 2025

Além da complexidade das informações recebidas, utiliza-se um conjunto diverso de ferramentas entre classes de ativos. Quase metade dos respondentes (44%) afirma utilizar de três a cinco sistemas ou tecnologias para apoiar suas operações em alternativos, tipicamente em áreas como contabilidade, relatórios e gestão de dados. Embora os investidores usem ferramentas básicas, como planilhas, para administrar seus negócios, o nível de sofisticação muitas vezes varia conforme o tamanho e o orçamento operacional. Em suma, os investidores traçam o curso de sua jornada em alternativos com conjuntos variados de instruções manuais e online para orientar o caminho.

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Tecnologia em ponto de inflexão, mas com barreiras persistentes

Para enfrentar a expansão e a complexidade de seus negócios, os investidores institucionais estão tomando medidas para otimizar processos, trabalhando com administradores fiduciários e outros parceiros capazes de oferecer soluções tecnológicas escaláveis para apoiar seu crescimento e oferecer acesso a um conjunto crescente de tecnologias de mercados privados. Hoje, essas soluções predominantemente transferem funções-chave de middle e back office em áreas como extração digital de dados e relatórios, o que ajuda a reduzir riscos de processos manuais e liberar recursos internos. No entanto, à medida que as informações se tornam mais digitalizadas, os investidores institucionais buscam soluções que façam mais do que simplesmente manter o motor funcionando. Quase metade dos investidores entrevistados (45%) está buscando ferramentas tecnológicas avançadas para apoiar o monitoramento de carteira, o desempenho e análises, enquanto um quarto (23%) busca apoio para estabelecer sistemas inteligentes de dados (Figura 2). Os investidores institucionais querem encontrar informações de fundos com mais rapidez e consolidar diversas fontes de informação para obter uma visão mais robusta de suas exposições em mercados privados e uma melhor compreensão de como essas exposições mudam ao longo do tempo. Soluções impulsionadas por dados precisos e em tempo real podem rapidamente trazer insights e apoiar a tomada de decisão, mantendo os investidores no curso mesmo diante de desvios inesperados.

Figura 2: Investidores Institucionais Buscam Ferramentas para Melhorar a Tomada de Decisão de Investimento

Fonte: Pesquisa BNY/SLTI 2025

A IA pode salvar o dia?

Para administrar o crescimento e a complexidade dos mercados privados, alguns investidores institucionais começaram a utilizar IA, especialmente para apoiar seus processos operacionais, com 71% dos respondentes indicando que a IA está pelo menos minimamente integrada em suas operações (Figura 3). A IA pode ser uma ferramenta-chave para ajudar a resolver o desafio de dados não estruturados. Um número crescente de investidores usa ferramentas para extrair dados e digitalizar documentos e relatórios, criando uma coleção cada vez maior de dados de mercados privados antes indisponíveis.

Figura 3: Explorando o Potencial Não Aproveitado da IA

Fonte: Pesquisa BNY/SLTI 2025

Embora a IA esteja se mostrando uma força significativa para os players do setor que a utilizam para automatizar, em maioria, processos repetitivos e minuciosos, ela ainda não entregou todo o seu potencial. A natureza complexa dos ativos e processos de mercados privados exige uma IA especializada, capaz de analisar as nuances dos dados, fluxos de trabalho e relatórios de alternativos para fornecer melhor gestão de exceções e reduzir a necessidade de processos conduzidos por humanos. Além disso, conforme as ferramentas de IA evoluem e os conjuntos de dados digitalizados criam uma base de treinamento mais ampla, essas ferramentas podem apoiar processos críticos de tomada de decisão, como análise de exposições a risco e avaliação de valuations (valuation), o que catalisará mais investimento em alternativos.

No entanto, o crescimento da IA introduz novos riscos, especialmente em torno da precisão das informações e da segurança, e os investidores estão sendo criteriosos na forma como a integram como parte de sua governança operacional e desenho geral.

Estamos liberando o poder da IA exatamente onde importa — nas mãos de nossos profissionais de investimento. Com acesso direto e inteligente aos seus dados, eles conseguem gerar insights em tempo real, tomar decisões mais rápidas e destravar mais valor em ativos alternativos. Esta é a IA como parceira, não como alguém dando palpite
Tony Payne
Chief Technology Officer, British Columbia Investment Management Corporation (BCI)

Dados são fundamentais para desbloquear mais investimentos em ativos alternativos

Assim como na evolução dos sistemas de GPS, os dados são fundamentais para o potencial da tecnologia na alocação, gestão e administração dos mercados privados. Hoje, os investidores institucionais enfrentam desafios para obter dados que os ajudem a medir e gerir o desempenho de suas carteiras. Os dados frequentemente são fragmentados, entregues por diferentes fontes, em períodos de tempo variados, em formatos distintos e com diferentes identificadores de estruturas de investimento (Figura 4). Investidores institucionais que buscam uma revisão consolidada de suas carteiras geralmente têm dificuldade em criar uma única fonte confiável de referência, com um conjunto limpo de informações sobre todos os seus ativos subjacentes, permitindo compreender plenamente as exposições.

Não se pode exagerar a importância de estruturar adequadamente os dados subjacentes. Construir uma base sólida de dados limpos e estruturados está entre os primeiros e mais importantes passos para preparar as organizações para maximizar o valor da inteligência artificial (IA) e o potencial transformacional que ela carrega.

Figura 4: O Caminho a Seguir: Uma Base Sólida de Dados é Fundamental

Fonte: Pesquisa BNY/SLTI 2025

Conclusão 

Em meio a um cenário de transformação de investimentos em mercados públicos, os investimentos alternativos consolidaram-se como um componente essencial para a geração de alpha em carteiras institucionais. A próxima geração de tecnologia para mercados privados, juntamente com os avanços em inteligência artificial (IA), tem o potencial de transformar ainda mais os investimentos alternativos e viabilizar a gestão dinâmica do portfólio como um todo. Para os investidores, o sucesso depende cada vez mais da disponibilidade das ferramentas e da infraestrutura adequadas para apoiar a tomada de decisão em tempo real, ajudar a navegar na complexidade crescente e na gestão de riscos em exposições diversas de mercados privados.

1Cameron Joyce, "Future of Alternatives 2029," Preqin, September 17, 2024, https://prequin.com/insights/research/reports/future-of-alternatives-2029  

 

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